O esporte e a sustentabilidade.

O termo esporte define muitas realidades, vai desde uma simples atividade de relaxamento a uma atividade profissional, onde podemos tanto buscar o bem-estar, como a nossa própria superação. Podemos praticar ao ar livre ou frequentar uma academia, vamos do “esporte por lazer” ao “esporte espetáculo”. O esporte está nas escolas, une grupos com os mesmos interesses e sem dúvida alguma é um setor econômico poderoso. A própria moda se vale do esporte para se comunicar, basta olhar os editoriais das revistas.

Como qualquer outra atividade humana, o esporte tem impactos no meio ambiente. A prática esportiva frequentemente necessita de estruturas ou da construção de infra-estruturas que ocupam espaço, consomem recursos e provocam diversos tipos de poluição.  Na questão ambiental, não acredito que o maior problema seja as construções de obras, mas o transporte e a proteção do meio ambiente sim exigem um pouco mais de atenção, no entanto,  nada que o evitar do desperdício não resolva.

O ponto chave da questão está mesmo relacionada ao consumo.  Não importa se somos ou não esportivos, o consumo de artigos de esporte hoje atinge uma grande parte da população, e é provavelmente nesse setor que o vínculo entre o desenvolvimento sustentável e o esporte tenha o maior destaque.  A produção de artigos esportivos, como em qualquer outro setor, tem um impacto no meio ambiente pelo consumo de matérias-primas ou pela produção de resíduos…Só que não basta um olhar para esses dois aspectos, é preciso ter uma visão de maior alcance e ver ao invés de um ou dois aspectos, toda a cadeia produtiva. Um dos grandes entraves para o setor dar as mãos para a sustentabilidade está na exploração da mão-de-obra, principalmente  infantil, dos países pobres onde a maioria destes artigos são produzidos.

Verdadeiro fenômeno da sociedade, o esporte, participa de um sistema de valores. É inegável o poder das marcas esportivas, porta-vozes do bem-estar e onipresente na paisagem publicitária, as marcas adquiriram uma importância tão grande que, as condições de fabricação se tornaram secundárias.

Cabe a nós consumidores exigirmos que questões como estas de exploração de mão-de- obra seja de uma vez por toda banida de nossa sociedade. E é tão simples. Está em nossas mãos ( no nosso corpo e nossos pés). Ao invés de adquirirmos determinadas marcas simplesmente porque tem uma super campanha publicitária ou porque nosso ídolo usa, deveríamos olhar para sua etiqueta, onde e como são produzidas, esporte não combina com exploração de mão de obra e nem com poluição desenfreada do meio ambiente.

Estamos bem perto de dois grandes eventos do esporte mundial que acontecerá em nosso país, uma grande oportunidade de mostrarmos ao mundo quais são nossos reais valores. Quem sabe, não estaremos dando um “empurrãozinho” para que as marcas esportivas de fato se tornem ecofriendly?

Sustentabilidade é um alvo que jamais será atingido, mas estar próximo a este alvo faz com que sejamos cada vez mais sustentáveis.

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