Novas águas rolarão
Se as flores foram predominantes no Fashion Rio, a água e a madeira foram no SPFW. Não faltaram referências nas cores, coleções e cenário, como a piscina da Neon, das principais marcas que desfilaram nesta temporada.
A Osklen apresentou sua coleção “Oceans” na qual os diversos tons de azul, do mais claro – quase branco – ao marinho, formaram a paleta de cores que foram tingidas no algodão orgânico. Aliás, o processo de tingimento natural feita em parceria com Eber Lopes Ferreira, um dos maiores entendedores do assunto, foi a novidade desta apresentação.

- A paleta azul da Osklen
Outro estilista que trouxe para a sua passarela (masculina) material ecológico foi o Alexandre Herchcovitch. O EcoSimple é um tecido feito 100% com matéria-prima reciclada e resultado de um complexo processo de produção: resíduos da indústria têxtil são separados por cores por pessoas de baixa renda, que seguem para a fábrica e passam por um processo chamado desfibragem (consiste no “rasgamento” dos tecidos e não usa nenhum produto químico). Em forma de fibras, esses materiais são fiados e tecidos com “15% de fibras de PET reciclado”, segundo Paulo Roberto Sensi Filho (sócio da EcoSimple).

Calça e paletó com maga curta feito com o tecido EcoSimple do estilista Alexandre Herchcovitch
A marca Maria Bonita também fez um lindo trabalho ao usar lâminas de madeira de reflorestamento articuladas em forma de mosaico sobre tecidos que apareceram de diversos tamanhos e formas nas roupas e bolsas, assim como peças com crochê de palha estiveram presentes. Com a ideia de reaproveitamento, a estilista Simone Nunes montou seu cenário feito com madeira de demolição mostrando assim a sua consciência ao tema eco-social.

Blusa feita com mosaico de madeira da Maria Bonita...

... assim como o crochê de palha na blusa e no chapéu

A passarela upcycled de Simone Nunes
Unindo sociedade e ecologia, as marcas Iódice e Movimento e o estilista Ronaldo Fraga apresentaram as suas coleções. A Iódice trabalhou com pele de pescada que apareceram em bolsas, tucumã em forma de canutilho bordado em peças, cortiça em cintos e sapatos, além do tingimento do couro ser feito com base vegetal e a adoção de uma unidade de conservação no Amazonas na qual cada peça vendida da marca, um real será doado para a comunidade.

Vestido com detalhe de tucumã na Iódice...

... e o detalhe na bolsa e o cinto de cortiça
A marca de beachwear Movimento fez um trabalho social e ecológico com uma comunidade localizada à beira-mar em Recife. Essas mulheres de pescadores passaram por seis meses de treinamento com Tininha da Fonte, estilista da marca e escolhida para encabeçar o projeto Pernambuco com Design. O resultado são peças feitas a partir do reaproveitamento de pele de peixe e possuem um efeito de lascas de madeira.

Lasca de madeira? Não. É o maiô da Movimento feito de pele de peixe reaproveitada.
Ronaldo Fraga, também convidado para participar do projeto Pernambuco com Design, não apenas trabalhou com as artesãs deste estado, mas também com as mulheres da Paraíba e de Minas Gerais para fazer delicadas rendas renascença e bordar detalhes e peças como vestidos, saias e tops. Para finalizar esta maestria de design artesanal e sustentabilidade, o estilista mineiro utilizou algodão orgânico cru em algumas de suas peças.

A renda no vestido de Ronaldo Fraga...

... e o vestido de algodão orgânico com bordados
Mesmo que ainda muitas marcas não integraram os conceitos de sustentabilidade em seus processos, estas marcas que desfilaram nesta temporada primavera-verão 2011 no SPFW propondo alternativas sustentáveis já é sinal que novas águas rolarão.